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Como ajudar seu cliente a descobrir o que ele quer?

O texto hoje é direcionado a arquitetos ou profissionais da arquitetura. Quero falar sobre algo que, na minha experiência, é um desafio que temos no momento de alinhar as expectativas com o cliente. Tem uma cena que se repete com muita frequência no início de um projeto. O cliente senta à sua frente, respira fundo, e diz: “Quero algo bonito, moderno, aconchegante.” E a explicação acaba parando por aí. Ainda que você tente ter diferentes perspectivas, o projeto avança, a primeira proposta é apresentada e, então, vem a devolutiva: “Não sei explicar… mas não é isso.” Quem já passou por isso sabe como essa cena termina: com retrabalho, desgaste e aquela sensação incômoda de que, em algum ponto do caminho, algo importante se perdeu. O mais difícil de reconhecer é que não houve má vontade de nenhum dos lados, o que faltou foi uma linguagem comum. Essa é, na minha experiência, a maior dificuldade de um projeto de arquitetura: a comunicação, especialmente aquela que precisa acontecer antes de qualquer linha ser traçada. Um projeto de arquitetura só é possível em parceria. A primeira coisa que estabeleço com todo cliente novo é simples: eu não faço esse projeto sozinha, e esse projeto não é possível sem um arquiteto. Parece óbvio dito assim, mas não é. Muita gente chega com a expectativa de que vai contratar um arquiteto, assinar um contrato, e em trinta dias receber o projeto pronto, como se fosse um pedido feito por aplicativo. Pode até acontecer, em casos muito específicos, quando o cliente consegue se expressar com muita propriedade e o arquiteto acerta na primeira apresentação. Mas essa é a exceção, não a regra. Na prática, projeto bem-feito demanda tempo, porque demanda conhecer as pessoas, e o próprio processo de conhecer alguém é lento. Um projeto de arquitetura é, essencialmente, sobre quem você é: seus hábitos, sua história, sua forma de ocupar um espaço e de se sentir dentro dele. Nenhuma dessas coisas aparece num formulário de briefing, ainda que bem preenchido. Por isso, antes de pensar em qualquer solução, eu me preocupo com a relação, que é o que torna um projeto possível. É ela que faz o cliente se sentir seguro o suficiente para se abrir e é só a partir dessa abertura que um projeto de verdade começa. A dificuldade começa antes do projeto As pessoas não se revelam completamente num primeiro encontro. Têm receio de julgamento, de expor gostos que consideram “errados” ou fora do esperado, de dizer o que querem e ouvir que não é possível. Existe uma reserva natural, e ela é ainda maior quando estamos falando de espaços íntimos, como a casa de alguém. A casa carrega as memórias, hábitos e afetos e, por isso, pedir que alguém a abra completamente para um estranho, no primeiro contato, é muito. Na prática, percebo que essa reserva se traduz em duas dificuldades distintas, que precisam ser trabalhadas de forma diferente. A primeira é conseguir que o cliente se abra, que deixe o arquiteto entrar de verdade. A segunda, logo em seguida, é conseguir que ele verbalize o que sente e o que deseja. São barreiras diferentes, mas que precisam ser vencidas para que o projeto tenha substância. Por isso, desde o início, eu trabalho para construir uma relação de confiança e cumplicidade. O cliente precisa sentir que pode contar o que gosta e o que detesta, sem medo de ser julgado, sem medo de “atrapalhar”. Precisa entender que não existe resposta errada: quanto mais ele revelar, mais o projeto vai refletir quem ele é.  E isso vale também no sentido inverso: sinceridade não pode ter medo de julgamento de nenhum dos lados. O cliente precisa poder dizer que não gostou e eu preciso entender por que ele não gostou, para refazer uma proposta com qualidade. É assim que um projeto evolui e é assim que a confiança se aprofunda ao longo do processo. Para dois perfis, duas abordagens distintas Na prática, os clientes chegam de formas muito diferentes, mas existem dois perfis muito  comuns  quando o assunto é expressar as demandas de projeto. O cliente que sabe o que quer, mas não sabe dizer. Ele tem uma imagem clara na cabeça, mas não tem o vocabulário técnico para traduzir isso em algo que um arquiteto possa trabalhar. Aprova ou rejeita de forma muito intuitiva, sem conseguir justificar o porquê. Com esse perfil, meu papel nas etapas iniciais é mais próximo ao de tradutora, para ajudar a decifrar e organizar a percepção e o gosto que já existe, mas que o cliente ainda tem dificuldade em expressar. O cliente que não sabe o que quer. Ainda não construiu preferências claras, ou nunca parou para pensar nisso de forma mais consciente. Por não ter isso estruturado, pode se encantar com a primeira proposta que ver ou com nenhuma. Com esse perfil, meu papel é de ser guia nesse processo de descoberta que começa, muitas vezes, por perguntas que ele nunca havia se feito. Essa leitura começa já na primeira conversa, porque ela define muito do caminho que o projeto vai tomar. A primeira conversa: mais escuta do que resposta Sempre que posso, faço o primeiro atendimento na casa do cliente. Mesmo que ele não diga uma palavra, eu estou vendo o espaço e posso partir dali para questionar. O que está aqui funciona? Isso ele gosta? O que ele gostaria que fosse diferente? O que ele claramente detesta, mas nunca parou para questionar? O exemplo concreto, ali na frente, é o melhor mediador de uma conversa que, por natureza, é difícil de se ter no abstrato. O ruído de comunicação diminui muito quando há algo real para ancorar o que está sendo dito. E, quando não é possível ir até o espaço, conduzo essa conversa em duas camadas. A primeira é sobre percepção, com perguntas abertas que não falam diretamente sobre o projeto, mas sobre como a pessoa experimenta os espaços em geral: Essas respostas raramente falam sobre materiais ou cores, mas sobre as

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Acessibilidade corporativa: porque os escritórios ainda não são realmente acessíveis e como podemos mudar isso na prática?

Ainda que muitas empresas afirmem oferecer ambientes inclusivos, a maior parte dos escritórios no Brasil está longe de ser, de fato, acessível. Existe uma crença persistente de que o espaço corporativo, por se organizar em torno de mesas, cadeiras e computador, seria naturalmente adequado para qualquer pessoa. A ideia de que “é só tirar a cadeira e uma pessoa em cadeira de rodas consegue trabalhar” sintetiza essa percepção superficial, mas esta visão simplificada ignora justamente aquilo que mais defendemos no Studio Universalis: a acessibilidade não é apenas a ausência de obstáculos, é principalmente presença de autonomia. E a autonomia se constrói nos detalhes. Neste artigo, vamos mostrar por que muitos escritórios continuam reproduzindo barreiras invisíveis e, principalmente, como é possível projetar ambientes corporativos verdadeiramente acessíveis, funcionais e preparados para receber todas as pessoas em condições de igualdade. A falsa impressão de “acessibilidade intuitiva” A suposição de que o escritório já é acessível nasce da crença de que o trabalho intelectual, predominantemente realizado em um único ambiente e sentado, não apresenta exigências espaciais complexas. No entanto, essa visão desconsidera que a acessibilidade é definida por critérios objetivos, ligados à relação ampla com o espaço: faixas de alcance, rotas contínuas, comunicação tátil, autonomia de circulação, previsibilidade e segurança no deslocamento. Nada disso é garantido apenas pela existência de uma mesa. A estação de trabalho, por exemplo, precisa contemplar regulagem de altura, permitindo que pessoas em cadeira de rodas, pessoas baixas ou com mobilidade reduzida ajustem o mobiliário às suas proporções. Além disso, o tampo regulável ou inclinável pode ser determinante para quem possui limitações motoras ou necessidades específicas de ergonomia. Você consegue perceber como a acessibilidade se manifesta em soluções precisas, em estratégias para o espaço, não em improvisos, como remover uma cadeira? A rotina corporativa é vasta, e a acessibilidade precisa acompanhar esse percurso completo. Toda pessoa que utiliza o ambiente de trabalho acessa banheiro, copa ou refeitório, áreas de convivência, recepção e áreas de circulação interna. Esses espaços, porém, são frequentemente negligenciados. Uma instalação sanitária inacessível, por exemplo, não é apenas um problema arquitetônico, é um obstáculo direto à permanência digna no ambiente de trabalho. O mesmo vale para copas e refeitórios onde bancadas são altas demais, comandos estão fora da faixa de alcance ou a circulação é estreita. Um escritório não pode ser considerado acessível se a pessoa tem autonomia apenas na mesa de trabalho, mas depende de ajuda para usar o sanitário, pegar um café ou acessar o bebedouro. Um escritório só é acessível se todos os ambientes permitem uso autônomo. As barreiras que ninguém vê: o problema da invisibilidade Grande parte dos impedimentos encontrados em escritórios são barreiras silenciosas, que passam despercebidas por quem não experimenta o corpo em relação de conflito com o espaço. Isso torna o tema ainda mais desafiador, pois o que é invisível tende a ser naturalizado, e o que é naturalizado deixa de ser questionado. Não é raro encontrarmos as seguintes situações em ambientes corporativos: O problema não está na falta de intenção, mas na ausência de um olhar treinado. É por isso que insistimos que a acessibilidade não deve ser improvisada, mas sim projetada. Como fazer a acessibilidade na prática? Vamos entender mais sobre a rota acessível e a autonomia Para compreender por que os escritórios permanecem inacessíveis, mesmo quando acreditam oferecer inclusão, precisamos falar sobre o conceito de rota acessível. A acessibilidade não é fragmentada, ela é contínua e considera a relação das pessoas com os espaços. Não basta ter um banheiro acessível, uma mesa com regulagem ou um elevador dentro das normas, se o percurso que conecta esses elementos tem barreiras, a autonomia não se concretiza. Uma rota acessível deve garantir que uma pessoa consiga sair da calçada, entrar no prédio, circular, trabalhar, acessar serviços, se alimentar e retornar ao ambiente de maneira independente. Se qualquer trecho desse percurso exige ajuda, há uma ruptura, e essa ruptura representa desigualdade, afinal, quando um espaço exige que alguém dependa constantemente de ajuda, ele está naturalizando um processo de segregação.  Garantir autonomia significa permitir que qualquer pessoa registre o ponto, acesse uma sala, abra uma porta, imprima um documento, prepare um café ou utilize o sanitário sem auxílio. É a autonomia que equaliza o ambiente e o transforma em um lugar onde cada pessoa exerce seu trabalho em plenitude. Como projetar para a autonomia?  Projetamos ambientes corporativos a partir de uma análise técnica rigorosa, mas também profundamente humana. Observamos as rotas, analisamos faixas de alcance, identificamos barreiras invisíveis e verificamos a coerência entre normas, uso real e experiência cotidiana. Algumas perguntas orientam nosso processo: Quando essas respostas são afirmativas, entendemos que a acessibilidade deixa de ser um adendo e se torna parte estrutural do projeto. Escritórios acessíveis não surgem espontaneamente, eles são construídos com intenção Neste artigo te mostramos que a ideia de que o escritório é naturalmente acessível é mais um mito do que uma constatação, porque a acessibilidade corporativa exige técnica, sensibilidade, conhecimento normativo e compromisso ético. Exige intenção.  E é certo que, em ambientes corporativos, esse compromisso não é apenas ético, ele é estratégico. Ambientes acessíveis reduzem o esforço físico e cognitivo necessário para realizar tarefas cotidianas, diminuem o estresse, aumentam a sensação de pertencimento e fortalecem as relações de confiança dentro da organização. Quando as pessoas experimentam autonomia, previsibilidade e conforto no espaço de trabalho, elas passam a operar em sua melhor capacidade, criam melhor, colaboram melhor e se engajam mais. Por isso, os impactos da acessibilidade no bem-estar dos colaboradores são diretos e mensuráveis. Um escritório que elimina barreiras melhora a saúde ocupacional, reduz afastamentos, amplia a produtividade e cria uma cultura muito mais sustentável. No fim, investir em acessibilidade transforma a experiência de cada indivíduo e os resultados do próprio escritório. No Studio Universalis, entendemos que a acessibilidade é uma ferramenta poderosa de performance organizacional. Ambientes que respeitam a diversidade dos corpos e das formas de existir são ambientes que produzem melhor. E é por isso que projetar para a autonomia não é um gesto

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Imagem ilustrativa de profissionais de saúde utilizando computadores em um ambiente hospitalar moderno, com o texto: 'Fluxos médico-hospitalares: como as novas exigências da ANVISA podem transformar seu negócio em referência de segurança'. Tema relacionado à arquitetura, saúde e estética.
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Fluxos médico-hospitalares: como as novas exigências da ANVISA podem transformar seu negócio em referência de segurança?

Se você já viu novelas como “Beleza Fatal”, talvez se lembre da personagem Lola, que enfrenta dramas para manter sua clínica funcionando. No mundo real, porém, o descuido com detalhes como esse pode custar caro – tanto para a reputação quanto para a segurança dos pacientes. Recentemente, a ANVISA realizou a operação “Estética com Segurança” e o resultado foi alarmante: 30 de 31 clínicas fiscalizadas apresentaram irregularidades graves. Oito delas foram interditadas. Os principais problemas? Produtos mal armazenados, reutilização inadequada de materiais descartáveis, espaços mal planejados e, claro, fluxos de circulação que favorecem a contaminação cruzada. No contexto atual, entender e aplicar corretamente os fluxos médico-hospitalares ANVISA RDC 959/2025 é essencial para transformar seu negócio em referência de segurança e qualidade no atendimento, pois o segredo do sucesso está na atenção aos detalhes e, principalmente, no planejamento dos fluxos dentro do seu espaço. O que mudou com as novas exigências da Anvisa? Em 2025, a ANVISA publicou uma nova resolução (RDC 959/2025) que eleva o padrão de exigência para estabelecimentos de saúde com o objetivo de reduzir riscos de contaminação e garantir ambientes realmente seguros para todos. Estão entre as principais mudanças: Quem precisa se adequar à nova legislação? A RDC 959/2025 impacta diretamente quatro grandes segmentos do setor de saúde, com algumas recomendações específicas.  1. Indústrias de medicamentos e equipamentos médicos Empresas que fabricam medicamentos sintéticos e biológicos, dispositivos médicos e produtos para diagnóstico in vitro agora estão sujeitas a inspeções surpresa e auditorias trimestrais. A rastreabilidade de lotes e a conformidade das instalações também passam a ser itens de avaliação criteriosa; as certificações devem estar atualizadas e devem haver, também, boas práticas de fabricação. 2. Clínicas de estética e centros cirúrgicos Esses estabelecimentos, que muitas vezes operam com mão de obra enxuta e estruturas compactas, precisam agora atender a padrões mais rigorosos em comparação às exigências anteriores. A reutilização de materiais descartáveis está proibida, o armazenamento precisa respeitar temperatura, umidade e validade, e os fluxos internos devem seguir lógica funcional clara, evitando riscos de contaminação. 3. Hospitais e Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) Para essas instituições, a norma exige a implantação de sistemas de gestão de risco que abrangem desde a manutenção de equipamentos de suporte vital até o controle de medicamentos de alto custo. Também se exige que empresas terceirizadas sejam tecnicamente qualificadas e auditadas regularmente. 4. Distribuidoras e centros de armazenagem Com foco em rastreabilidade e condições adequadas de transporte, as distribuidoras agora precisam comprovar que conseguem manter temperaturas ideais (como 2ºC a 8ºC para vacinas), realizar entregas seguras e capacitar constantemente suas equipes. Empresas que não atualizarem suas certificações até novembro de 2025 não poderão comercializar para o SUS. E por que o fluxo correto faz toda a diferença? Como comentamos, diversas foram as mudanças na legislação e muitos aspectos passaram a ser avaliados de forma mais rígida e criteriosa. Mas porque demos destaque especificamente para os fluxos? A resposta é simples: porque o fluxo de circulação dentro de um ambiente de saúde é o ponto-chave da segurança sanitária. Ele é o elemento que conecta, de forma prática, todas as demais exigências da legislação. Sem fluxos bem planejados e executados, mesmo clínicas que utilizam materiais de qualidade, possuem processos de esterilização eficientes e profissionais capacitados podem estar vulneráveis a riscos ocultos de contaminação cruzada. Imagine, por exemplo, um material recém-esterilizado cruzando o mesmo corredor onde resíduos contaminados são transportados; ou pacientes utilizando a mesma entrada de ambientes críticos destinados a procedimentos invasivos… são pequenos detalhes, quase imperceptíveis na rotina, mas que aumentam exponencialmente o risco de infecções e eventos adversos. Além disso, o fluxo correto é determinante para garantir a eficiência operacional, a segurança dos pacientes e a tranquilidade das equipes profissionais, evitando deslocamentos desnecessários, reduzindo o tempo de atendimento e, principalmente, prevenindo que erros comprometam a credibilidade do estabelecimento. Nesse sentido, o projeto arquitetônico é um grande aliado da segurança e da regularidade do seu empreendimento, pois o leiaute bem estruturado prevê: E então, como estruturar o espaço para evitar problemas com a nova legislação? Vamos te apresentar algumas dicas práticas para que você possa pensar a reestruturação de seu estabelecimento: Também temos uma publicação no blog do Studio Universlis para entender melhor as novas determinações da ANVISA. Clique aqui e acesse. Se você quer garantir que sua clínica esteja em conformidade com os fluxos médico-hospitalares ANVISA RDC 959/2025, conte com o apoio do Studio Universalis para adequar seu espaço às normas e valorizar ainda mais o cuidado com os pacientes. Estamos à sua disposição para buscar soluções que atendam às normas vigentes e se adequem a sua realidade, para que você possa se concentrar no que faz de melhor: cuidar das pessoas. Entre em contato conosco: (31) 98797-2392 ou contato@studiouniversalis.com.br Gostou deste conteúdo? Compartilhe com quem também precisa transformar o ambiente de saúde em um exemplo de segurança e sucesso!

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