Skip to content

Um projeto de arquitetura pode ser pensado nos mínimos detalhes: cada medida pode ser estudada, cada espaço de circulação pode ser dimensionado, cada material especificado e diversas situações previstas. Ainda assim, existe uma etapa capaz de transformar completamente o resultado: a execução da obra.

É nesse momento que o projeto deixa de ser um desenho e uma previsão e passa a  se tornar o espaço construído. Quando quem projetou não é quem executa, a qualidade dessa transição depende da capacidade de transformar as informações do projeto em decisões construtivas sem perder aquilo que foi pensado para o usuário e para o ambiente.

Parece óbvio? Ou parece algo complicado? Hoje vamos discutir um pouco mais sobre essa relação e por que ela exige tanta atenção durante uma obra.

Projeto e execução são duas etapas distintas que precisam conversar entre si

É importante entender que o projeto executivo de arquitetura e a execução não são a mesma coisa, mas também não podem funcionar como etapas completamente independentes. O projeto é uma das principais ferramentas para orientar aquilo que será construído.

Um projeto desenvolvido para aprovação na prefeitura, por exemplo, tem uma finalidade diferente de um projeto executivo. O primeiro apresenta as informações necessárias para a aprovação legal da edificação. Já o segundo, como o próprio nome indica, orienta o processo de execução do que foi pensado e, por isso, precisa ser mais minucioso nos detalhes, nas especificações dos materiais, nas dimensões e nas soluções necessárias para realizar a obra.

Ou seja: o projeto que aprova uma edificação não necessariamente contém todas as informações necessárias para construí-la.

Por isso, quanto mais complexa for a obra, maior é a importância dos projetos complementares, dos detalhamentos e da compatibilização entre arquitetura, estrutura, instalações hidráulicas e elétricas, iluminação, climatização, marcenaria e demais sistemas. É nesse conjunto de informações e interações que o projeto começa a se materializar.

Quando a execução acontece sem consultar adequadamente esse material, abre-se espaço para interpretações, improvisos e adaptações que podem parecer pequenas no canteiro de obras, mas gerar consequências importantes no resultado final.


Alguns centímetros fazem toda a diferença

Já falamos em diversos momentos aqui no blog que, na arquitetura, poucos centímetros podem mudar completamente a experiência em um ambiente.

Uma porta pode precisar de determinada largura para garantir acessibilidade. Um móvel de marcenaria pode ter sido dimensionado considerando uma medida específica. A distância entre equipamentos pode ser necessária para permitir a circulação. Um forro pode ter sido pensado para acomodar a iluminação, a climatização ou outros sistemas.

Por isso, quando uma medida prevista no projeto não é respeitada durante a execução, o problema não se limita à estética. A alteração pode afetar diretamente a função, o conforto, a acessibilidade e até a segurança do ambiente.

Uma diferença de alguns centímetros pode comprometer a utilização daquele espaço.

É justamente por isso que o projeto arquitetônico precisa ser entendido como uma ferramenta técnica que orienta a obra e não apenas como uma “forma bonita” de visualizar o que se pretende construir.

“Vou fazer desse jeito porque é mais fácil”

Uma das situações mais delicadas acontece quando o profissional responsável pela execução decide alterar uma solução prevista no projeto por considerar que existe uma maneira mais fácil, rápida ou conveniente de realizá-la.

Em uma obra, adaptações podem, sim, ser necessárias e isso faz parte da realidade de qualquer construção. O problema não está em adaptar quando necessário, mas em adaptar sem comunicar, sem avaliar as consequências e sem compatibilizar a mudança com o restante do projeto.

Uma alteração aparentemente simples pode interferir em outras decisões, muitas vezes sem que isso seja percebido imediatamente. Aí, o que parecia uma pequena economia de tempo pode acabar criando uma sequência de problemas. Quando surge a necessidade de mudar alguma coisa durante a obra, portanto, o caminho mais seguro é conversar com quem desenvolveu o projeto e avaliar conjuntamente a alternativa.

Não se trata de uma questão de autoria ou de “quem manda na obra”, mas de responsabilidade técnica e coerência entre as diferentes etapas do processo.

Por que o arquiteto indica profissionais para executar uma obra?

Uma percepção que muitas pessoas têm é que, quando um arquiteto recomenda uma construtora, um engenheiro, um marceneiro ou outro profissional para participar de uma obra, existe algum interesse comercial por trás da indicação. Mas, muitas vezes, a razão é muito mais simples: confiança profissional.

Quem projeta conhece as características daquele trabalho e sabe quais profissionais têm experiência, cuidado e capacidade técnica para executar determinadas soluções. Além disso, uma boa parceria entre a equipe de projeto e os profissionais da execução facilita a comunicação e reduz a possibilidade de decisões importantes serem tomadas isoladamente.

O arquiteto sabe por que determinada solução foi escolhida, o engenheiro conhece os limites estruturais que precisam ser respeitados, a construtora conhece as condições do canteiro e o marceneiro entende as possibilidades e limitações dos materiais com os quais trabalha. Quando essas pessoas atuam em diálogo, aumentam as chances de que aquilo que foi planejado seja corretamente traduzido para a realidade da obra.

E quando algo dá errado, quem leva a culpa?

Imagine que o arquiteto tenha especificado uma medida, detalhado uma solução e previsto um determinado tipo de acabamento. No entanto, durante a execução, alguém decide alterar aquela solução sem consultar o projeto ou o profissional responsável. Ao final, o resultado não funciona como deveria.

Para o cliente, porém, a percepção de responsabilidade muitas vezes é mais simples: “foi o arquiteto que projetou”. 

É compreensível que o cliente associe o resultado ao profissional que contratou para pensar o espaço. Justamente por isso, é importante entender que projeto e execução possuem responsabilidades diferentes e que uma alteração feita durante a obra pode modificar o resultado originalmente previsto.

Assim, a arquitetura pode propor uma solução tecnicamente adequada, mas não consegue controlar uma alteração realizada no canteiro sem que o responsável pelo projeto seja informado.

Existe ainda outro aspecto importante: a qualidade da mão de obra disponível. Um projeto pode ser tecnicamente muito bem resolvido e, ainda assim, apresentar problemas quando executado por profissionais sem experiência suficiente para interpretar desenhos, detalhes e especificações. Isso acontece especialmente em soluções que exigem maior precisão ou utilizam técnicas diferentes das mais convencionais.

O desenho é exato. A obra, nem sempre.

A construção é um trabalho de precisão que depende tanto da qualidade do projeto quanto do conhecimento de quem o executa.

Alguns elementos são particularmente sensíveis às diferenças de medida. Um móvel planejado, por exemplo, é feito sob medida e, por isso, não trabalha com grandes margens de erro. Sua fabricação considera dimensões específicas do ambiente e, mesmo que exista uma previsão no projeto, durante a obra é necessário conferir novamente as medidas a partir do cenário real.

O projeto pode prever uma parede perfeitamente reta e um ambiente com determinadas dimensões. A obra real, porém, raramente é tão ideal quanto o desenho.

É por isso que, em projetos cuidadosos, é preciso prever folgas e tolerâncias construtivas sempre que a solução permitir. Essa margem não significa que o projeto esteja impreciso, muito pelo contrário, reconhece que a construção possui tolerâncias e que um bom projeto precisa saber onde elas podem existir.

Mas há situações em que simplesmente não existe espaço para erro.

Quanto maior a precisão exigida, maior precisa ser o cuidado na execução, pois o ambiente construído não é uma folha perfeitamente plana.

No desenho técnico, trabalhamos com linhas, planos, ângulos e medidas exatas. No canteiro de obras, trabalhamos com materiais como a argamassa, o concreto, estruturas e mão de obra, além das condições particulares de cada construção. Pequenas irregularidades podem aparecer e são normais, são condições que precisam ser consideradas durante a execução, principalmente antes da instalação de elementos que dependem de medidas precisas, como a marcenaria personalizada.

É por isso que medir novamente na obra é tão importante!

Projetar bem não significa imaginar uma construção ideal onde tudo acontece exatamente como no desenho, significa conhecer a realidade da construção. Existem tolerâncias, materiais que se movimentam, paredes que podem apresentar pequenas variações e situações que só aparecem quando a obra começa e, por isso, em determinados pontos, é possível trabalhar com folgas e soluções capazes de absorver pequenas diferenças.

No fim, é um trabalho coletivo

A questão não é simplesmente sobre quem desenhou e quem construiu, porque a  qualidade de um projeto executado é o resultado de um trabalho coletivo. Uma obra de qualidade depende de uma cadeia de profissionais trabalhando em torno de um mesmo objetivo: fazer com que o espaço funcione para as pessoas e para o contexto em que foi pensado.

Cada profissional envolvido possui responsabilidades diferentes. Quando elas são respeitadas e existe comunicação entre as partes, a obra tende a ser mais previsível, eficiente e coerente com o projeto.

Para proteger o investimento do cliente e aumentar as chances de que aquilo que foi pensado realmente aconteça no espaco construído, é preciso respeitar as informações contidas no projeto, comunicar quaisquer alterações, compatibilizar soluções entre todas as áreas envolvidas e contar com profissionais capacitados para executar as técnicas previstas.

E você, o que acha sobre isso?

Se você é arquiteto ou engenheiro e busca um parceiro para desenvolver soluções mais acessíveis, funcionais e tecnicamente adequadas aos desafios de cada projeto, converse com o Studio Universalis.

Vamos trabalhar em conjunto para encontrar soluções que conciliem as necessidades das pessoas, as exigências técnicas e as características de cada projeto.

Veja mais