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Acessibilidade

A arquitetura pensada a partir das pessoas: bate papo com Rayane Costa e Angélica Picceli

Até o final dos anos 1990, os padrões vigentes na arquitetura se baseavam principalmente na escola modernista de arquitetura e partiam do pressuposto que a criação do ambiente deveria ser pensada de fora pra dentro, sem considerar a experiência do indivíduo como parte essencial do processo. Questões como acessibilidade e inclusão eram pouco ou quase nada discutidas e os espaços eram pensados muitos mais em seus aspectos estéticos, sem levar em consideração as necessidades das pessoas. Na última quarta-feira, 18 de Agosto, realizamos a terceira live do #MêsDaAcessibilidade, em alusão à Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla. Com a participação da arquiteta Rayane Costa, o bate-papo foi mediado pela arquiteta Angélica Picceli e teve como temática a arquitetura inclusiva, pensada a partir das pessoas. A transmissão ao vivo também contou com a intérprete de LIBRAS, Elen Cunha, traduzindo simultaneamente os conteúdos para garantir sua acessibilidade às pessoas surdas. Angélica, Elen e Rayane durante bate-papo da última quarta-feira, 18/08. Segundo dados do IBGE, no último Censo Demográfico, 23,9% da população brasileira declarou conviver com algum tipo de deficiência. Além disso, a população idosa, que também precisa de adaptações para espaços mais acessíveis, representa mais de 8%. Esses dados apenas reforçam a importância da aplicação do conceito de arquitetura inclusiva, apoiada por norma técnica e legislação federal. Com o intuito de estabelecer uma norma de acessibilidade no meio urbano, a ABNT criou, em 1985, a NBR 9050. Ela é utilizada por arquitetos, construtores, engenheiros e outros profissionais da área, e estabelece critérios e parâmetros para instalação de equipamentos e adaptação de espaços, de forma que se tornem acessíveis para todas as pessoas. Sua atualização aprofunda a discussão sobre acessibilidade, pensando na sua aplicabilidade para proporcionar mais conforto, segurança e dignidade a todas as pessoas. Durante a live, Rayane e Angélica conversaram sobre as semelhanças e diferenças entre os cursos de Arquitetura: atualmente, os cursos de graduação ampliaram o contato com discussões sobre acessibilidade, investiram na inclusão de matérias de arquitetura acessível aos currículos e proporcionam de forma mais presente o conhecimento técnico destes aspectos durante a graduação. Este contato com as questões sobre acessibilidade e inclusão  ainda durante a graduação é, sem dúvidas, essencial para a formação de profissionais mais conscientes. As arquitetas destacaram, também, a importância de se conhecer estes princípios técnicos e seguí-los, pois assim é possível projetar espaços funcionais, esteticamente agradáveis e que modifiquem a realidade das pessoas que os utilizam.  Assim como estabelece a norma técnica NBR 9050, a acessibilidade deve ser pensada para todos, desde pessoas com qualquer tipo de deficiência, idosos e pessoas com mobilidade reduzida. Além de melhor receber e acomodar a todos e todas, investir na inclusão e acessibilidade dos empreendimentos é algo possível para quaisquer espaços e, conforme destacam as profissionais, configura um diferencial competitivo no mercado. Rayane destaca a Gelateria Il Sordo, de Sergipe, que foi objeto de estudo durante sua pós-graduação em Design de Interiores. A empresa  surgiu a partir das ideias de Breno Oliveira, que é surdo e que a partir da sua dificuldade em encontrar um emprego, resolveu empreender. Breno construiu a marca Il Sordo totalmente  vinculada à sua própria identidade pessoal, oferendo ao cliente deliciosos gelatos italianos e paletas mexicanas. O atendimento do estabelecimento é feito por uma equipe de pessoas surdas. O espaço possui sinalizações explicando seu funcionamento e não é necessário saber LIBRAS para se comunicar: os clientes gesticulam, apontam o que querem, e o atendimento ocorre muito bem. Quando necessário, os atendentes utilizam celulares, canetas e papel como auxílio, para se comunicarem com os clientes.  A Il Sordo valoriza a relação entre as pessoas e o empreendimento tornou-se referência. A Il Sordo conta, atualmente, com 4 unidades em Aracaju e também expandiu-se para Salvador. É um exemplo de que levar a inclusão para dentro dos negócios é uma vantagem competitiva. Além de obrigação por lei, investir em acessibilidade é algo que dá certo. Há uma ideia equivocada de que projetos arquitetônicos acessíveis são caros e difíceis de serem realizados. As arquitetas destacam: isto é um mito! Pensar em acessibilidade nos espaços é prático, possível de ser realizado por qualquer empreendimento e representa um investimento, pois mais pessoas podem ter acesso ao seu estabelecimento comercial. Vivemos uma época em que defender valores, enquanto marca comercial, é muito importante. As pessoas não compram produtos ou utilizam serviços apenas pelos seus benefícios, mas pelos valores que as marcas defendem. A inclusão em todos os âmbitos sociais é importantíssima e, quando defendida pela marca, confere um diferencial a ser percebido pelos consumidores. Angélica e Rayane discutem sobre os principais mitos no que diz respeito à arquitetura acessível: Não é por falta de conhecimento. Os arquitetos hoje têm acesso às regulamentações e discussões sobre o tema ainda durante a graduação. Não é falta de informação e regulamentação. A acessibilidade é uma obrigação legal desde 2004, com a promulgação do Decreto Federal 5296/2004. Já a norma regulamentadora existe desde 1985 e já passou por quatro atualizações: em 1994, 2004, 2015 e 2020. Não é uma questão de custo. Não há grandes diferenças na questão orçamentária entre projetos que seguem os princípios do Design Universal e os que não o seguem. Não é um bom negócio para empreendimentos. Pelo contrário, ao investir em acessibilidade você amplia a possibilidade de receber clientes, atingindo um público consumidor maior e que deseja ser bem atendido.  Por fim, as profissionais destacam que estamos em processo de constante desenvolvimento, e é fundamental que os arquitetos discutam estas questões e tenham acesso às informações sobre acessibilidade ainda na graduação. Houve uma mudança no pensamento e, em algum momento dos últimos 20 anos, a arquitetura mudou sua visão sobre os espaços e começou a pensá-los a partir das pessoas. Arquitetos e arquitetas são potenciais agentes de transformação social e suas ações são importante para transformar o conhecimento em ações concretas. “Espero chegar em um dia em que todos os projetos sejam acessíveis.” Angélica Picceli Arquitetos e arquitetas especializados em planejar espaços acessíveis fazem toda a

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Educação Inclusiva para pessoas com deficiência: bate-papo com Natália Costa e Angélica Picceli

O Brasil é um país diverso em todos os seus sentidos. Sua diversidade pode ser observada na natureza, na música, na geografia, na religião, na população, e em muitos outros aspectos. É o quinto maior país do mundo em extensão e o sexto em população. Com dimensões continentais e uma população estimada de cerca de duzentos e onze milhões de pessoas em 2020, é um país com muitos contrastes e peculiaridades. Apesar de muito diverso, infelizmente a inclusão ocorre, muitas vezes, apenas por obrigação de lei. Falar sobre inclusão significa falarmos sobre um conjunto de ações que garantem a participação igualitária de todos os membros da sociedade em todos os setores. Muitas dessas ações são previstas por leis, que, em muitos casos, não são cumpridas. Dentre os direitos com respaldo legal está o acesso à informação e à educação de qualidade.  O esforço pela inclusão social e escolar de pessoas com deficiência no Brasil é a resposta para uma situação que perpetua a segregação, e cerceia o pleno desenvolvimento destas pessoas. Dentre as legislações que pautam a inclusão de pessoas com deficiência está a Lei nº 13.146, de 16 de Julho de 2015, que destina-se a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania. Segundo a legislação brasileira, considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, que venha a obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas quando encontrar barreiras. No que tange à inclusão na educação, a atualização da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei nº 12.796, de 4 de Abril de 2013, prevê o atendimento educacional especializado e gratuito aos educandos com quaisquer tipos de deficiências e adota, como alternativa preferencial, a ampliação do atendimento a estes educandos na própria rede pública de ensino. A Educação inclusiva compreende a escola como um espaço para todos e favorece a diversidade na medida em que considera que todos os alunos podem ter necessidades especiais em algum momento de sua vida escolar. Neste conceito de educação, as diferenças não são vistas como problemas, mas como uma oportunidade de desenvolver a convivência e ampliar visões de mundo a partir de realidades sociais distintas. Para discutir a importância de uma educação inclusiva para pessoas com deficiência intelectual e múltipla, convidamos Natália Costa, diretora do CENSA Betim e do Instituto Ester Assumpção e também vice-diretora regional do SINEP/MG. O bate-papo ocorreu na quarta-feira, dia 11 de Agosto, no Instagram do Studio Universalis (@studiouniversalis) e foi mediado pela arquiteta Angélica Picceli, especialista em arquitetura inclusiva. A transmissão ao vivo também contou com a intérprete de LIBRAS, Elen Cunha, traduzindo simultaneamente os conteúdos para garantir sua acessibilidade às pessoas surdas. Legenda: Angélica, Elen e Natália, durante live da última quarta-feira, 11/08. Natália Costa destaca a relevância do tema e que a participação em um ambiente de educação inclusiva desde as séries iniciais tem significativa importância para o desenvolvimento individual e de toda a sociedade. Quando temos contato com a diversidade desde uma tenra idade, contribuímos com o desenvolvimento de indivíduos mais conscientes e humanos. Há, entretanto, necessidades que interferem de maneira significativa no processo de aprendizagem e que exigem uma atitude educativa específica da escola. Instituições como o CENSA Betim são essenciais para melhorar a qualidade de vida de pessoas com deficiências intelectuais e múltiplas. A instituição, fundada em 1964, é um local para cuidados básicos e um espaço para ser e conviver. Trabalha com um recorte social, pessoas com deficiência intelectual adulta, associada ou não a outras deficiências e ênfase em saúde e educação para que estas pessoas consigam viver com maior autonomia. Ao se pensar a educação de forma inclusiva, a equipe transdisciplinar do CENSA Betim busca direcionar suas ações com base nos suportes específicos necessários à cada particularidade, atendendo as necessidades da pessoa com deficiência intelectual, associada ou não a outros transtornos, e da sua família, assegurando-lhes qualidade de vida e uma educação socializadora. No Brasil, temos um histórico de exclusão. Segundo Natália Costa, o maior desafio para uma educação inclusiva é combater o preconceito, pois ele pressupõe uma discriminação baseada em concepções prévias e estereótipos. Muitas vezes, cria-se barreiras atitudinais e as pessoas com deficiência são vistas com um olhar de supervalorização, uma percepção de que sejam “heróis” por participar de forma ativa da sociedade e que coloca estes indivíduos em um patamar distante e desigual. Este tipo de barreira parece homogeneizar os indivíduos e suas individualidades são deixadas de lado. É preciso, portanto, estar atento às particularidades de cada um, para quebrar estereótipos e concepções prévias. A inclusão não é pautada apenas no acesso aos espaços, mas ela pressupõe um pilar de ações comportamentais, estruturais, políticas e científico-metodológicas. Para que seja de fato garantida no ambiente escolar, temos um percurso a ser trilhado e é preciso seguir alguns passos importantes:   Primeiro passo: Fazer um diagnóstico. É preciso fazer um diagnóstico local. O Brasil é um país com dimensões continentais, portanto, não podemos comparar as especificidades de cada localidade. É preciso compreender as pessoas, os espaços e as relações sociais que compreendem o espaço escolar e como esses elementos se relacionam com o município e o estado. Segundo passo: Desenvolver a acessibilidade atitudinal. É preciso que haja a acessibilidade atitudinal. É o ato de querer fazer a diferença que impulsiona a remoção de barreiras. Devemos perceber o outro sem preconceitos, estigmas e estereótipos. Terceiro passo: Envolver a comunidade. É preciso envolver toda a comunidade escolar: alunos, pais, servidores, comunidade ao redor. Todos precisam estar cientes da importância da instituição como fator de transformação social. Quarto passo: Preparar profissionais e planejar os espaços. Reconhecer as limitações do espaço escolar como um todo e adaptá-lo para que essa inclusão seja de fato efetiva. É importante não pensar somente no ambiente de sala de aula, mas também nos espaços informais, pois também são fatores

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Acessibilidade no espaço urbano: entrevista com Angélica Picceli na MG TV da Record

Um estudo publicado pela Universidade Federal de Minas Gerais revelou que os usuários de cadeiras de rodas enfrentam condições ruins de transporte público e de acessibilidade para usufruir de locais destinados à prática de lazer na cidade de Belo Horizonte. A conclusão é de uma pesquisa realizada com 126 moradores da capital mineira.  Os pesquisados e pesquisadas relatam dificuldades para trabalhar e se divertir por conta da falta de transporte acessível e das más condições de acessibilidade dos espaços. Por conta das barreiras para as práticas de lazer, os entrevistados utilizam as redes sociais e a navegação na internet como principais atividades de lazer. Dentre os 126 pesquisados, apenas 11 citaram  programas culturais como a visita a cinemas, museus, teatros e exposições. Durante a pesquisa, os entrevistados ressaltaram que as calçadas de BH encontram-se em “más condições”. Dentre as dificuldades, buracos e falta de rampas de acesso impedem a locomoção.  A arquiteta Angélica Picceli, especialista em Arquitetura Inclusiva do Studio Universalis, foi entrevistada pela emissora Rede Record para citar o que pode ser melhorado em relação aos espaços, para torná-los mais acessíveis para todas as pessoas. Soluções como portas com vãos de passagem de, no mínimo, 80 centímetros, áreas de circulação livre de barreiras, pisos firmes e estáveis e mobiliário em altura adequada para que pessoas tanto em pé, quanto sentadas, consigam utilizá-los são modificações que podem garantir o acesso e aproveitamento dos espaços por todas as pessoas. Angélica Picceli apresenta soluções para tornar os espaços urbanos mais acessíveis. Confira a matéria completa que foi ao ar no programa MG no Ar: https://noticias.r7.com/minas-gerais/mg-no-ar/videos/cadeirantes-deixam-de-usar-espacos-de-lazer-em-bh-05082021 Para conhecer soluções de arquitetura acessível que promovam uma experiência mais agradável e inclusiva, agende uma reunião com nossa especialista Angélica Picceli, através do e-mail contato@studiouniversalis.com.br ou pelo WhatsApp/telefone (31) 98797-2392.

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Acessibilidade no dia a dia: bate papo com Laura Martins, do blog Cadeira Voadora

Na quarta-feira, dia 04 de agosto, o Studio Universalis realizou sua primeira live do Mês da Acessibilidade. Esta programação especial, alusiva à Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, busca discutir como transformar os conhecimentos em acessibilidade em ação, para um país mais inclusivo. Nossa primeira convidada foi a Laura Martins, autora do blog Cadeira Voadora. Laura é cadeirante e influenciadora digital, autora do livro “Como organizar uma viagem com acessibilidade” e aborda discussões sobre suas experiências pessoais, reivindicação de direitos e a acessibilidade no turismo. Angélica e Laura durante o bate-papo realizado dia 04/08. Ao falarmos sobre acessibilidade, estamos contribuindo para uma sociedade mais igualitária e as ações realizadas neste âmbito impactam positivamente na vida de todos e todas. Para que um espaço seja considerado acessível, ele deve possibilitar a autonomia e independência das pessoas e assegurar sua segurança e integridade física. O Brasil tem uma das legislações mais avançadas do mundo no que se refere à garantia de direitos das pessoas com deficiência. No entanto, na prática, a maior parte do que se assegura na lei não é realidade para todos: diversos são os desafios enfrentados cotidianamente por pessoas com deficiência intelectual, múltipla ou capacidade de locomoção reduzida. No que diz respeito ao acesso à espaços públicos e deslocamento nas cidades, as dificuldades vão desde as más condições de passagens e calçadas até obstáculos que obstruem as vias. Rampas íngremes, calçadas desniveladas, que  apresentam perigos para todas as pessoas. Para que os espaços possibilitem a locomoção com autonomia, é necessário que as calçadas estejam em boas condições e que possuam rebaixamento para que possam ser acessadas. Pisos táteis devem ser instalados da maneira correta, faixas de pedestres também devem estar bem demarcadas e os semáforos devem ter tempo suficiente para que pessoas com quaisquer deficiências ou capacidade de locomoção reduzida consigam atravessar a rua de maneira segura. Durante o bate-papo, Laura e Angélica destacaram que é possível pensar em alternativas para tornar os espaços acessíveis – até mesmo em prédios tombados como patrimônio histórico e arquitetônico, construções mais antigas que não foram projetadas originalmente para comportar a acessibilidade. Apesar de haver restrições para a sua implantação, é de vital importância a adaptação do patrimônio para permitir a utilização do seu espaço por todos os usuários. Algumas alternativas como a construção de espaços anexos tornam o ambiente mais acessível e facilitam o acesso de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida à programações culturais e de lazer. Tais atividades culturais também devem contemplar ações como plataformas elevatórias, banheiros adequados com espaço suficiente para movimentação,  barras de apoio e pias com altura correta. Placas com informações em braille, transcrição de obras e peças em áudio e em alto relevo tornam a experiência turística mais acolhedora e acessível. Com relação ao turismo, Laura destaca sua experiência com a rede hoteleira ao redor do mundo. Há uma tendência na arquitetura moderna de pensar em espaços compactos. Como consequência, os quartos são pequenos e de difícil acesso, com pouco espaço para locomoção. Além da ampliação do espaço, algumas intervenções simples são possíveis para torná-los mais acessíveis, como o uso de portas de correr, portas sanfonadas ou até mesmo que abram para fora. Pensar em acessibilidade é  considerar a experiência do indivíduo como parte essencial do processo e planejar o espaço de forma a atender todas as pessoas.  Angélica e Laura enfatizam: “ninguém resolve as questões de acessibilidade num passe de mágica.” É um processo com metas graduais e que envolve a atenção e planejamento de uma ampla gama de setores. As mudanças devem ocorrer ao longo do tempo para que estas metas sejam atingidas. Pensar em inclusão não se aplica somente a espaços – é necessário, também, que as pessoas estejam preparadas para atender também a este público.  No Brasil,  no último censo do IBGE, cerca de 24% da população declarou ter algum grau de dificuldade em pelo menos uma das habilidades investigadas (enxergar, ouvir, caminhar ou subir degraus), ou possuir deficiência mental ou intelectual. O atendimento contribui fortemente para a experiência do consumidor e ao ter pessoas capacitadas para atender um público tão amplo os estabelecimentos encontram oportunidades de diferenciar-se no mercado, além de contribuir para a construção de um mundo mais justo e igualitário, fornecendo o acesso e conforto a um público consumidor ávido por bom atendimento e para ser bem recebido. Com a ação do poder público e a colaboração de cada um é possível pensar alternativas e garantir que as leis sejam cumpridas, garantindo o acesso e livre circulação de todos a todos os espaços. Cabe a cada um de nós, ao se deparar com uma calçada que é perigosa ou qualquer outra estrutura que não siga as recomendações legais, cobrar que a legislação seja cumprida. “Com respeito e naturalidade a gente consegue fazer o que precisa ser feito, inclusive a acessibilidade.” Laura Martins Ao se discutir sobre acessibilidade e inclusão, é necessário pensar no outro. Os lugares são parte importante da formação de nossas identidades, ajudam a construir quem nós somos enquanto seres humanos. Quando tiramos da pessoa com deficiência a oportunidade de frequentar os lugares, de aproveitar os espaços e conhecer outras visões de mundo, estamos tirando, também, a possibilidade de formar identidades e o enriquecimento de suas experiências de vida. E isso é uma via de mão dupla, pois o aprendizado é sempre bilateral: todos perdemos a oportunidade de ampliarmos nossos horizontes quando nos privamos do convívio na diversidade. Garantir o acesso e a utilização com autonomia e independência dos espaços é, também, garantir o acesso à cultura, à arte, à transformação de cada indivíduo em uma pessoa melhor e mais tolerante e contribuir para a construção de um mundo melhor. A programação especial do Studio Universalis continua, com lives todas as quartas-feiras do mês de agosto. O próximo bate-papo será sobre a Educação Inclusiva para pessoas com deficiência intelectual e múltipla. Com a participação de Natália Costa, diretora do CENSA Betim e do Instituto Ester Assumpção e vice-diretora regional do SINEP/MG, a live

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Acessibilidade

Acessibilidade em foco: é tempo de transformar conhecimento em ação

A acessibilidade representa a possibilidade de que qualquer pessoa, possuindo ou não algum tipo de deficiência ou capacidade de locomoção reduzida, tenha garantido seu direito de ir e vir com autonomia e independência.  Desde que o Studio Universalis foi fundado, este tema tem sido uma pauta norteadora em todos os nossos projetos porque se relaciona diretamente com nossa visão sobre um mundo mais justo e igualitário para todos. Em dezembro de 2017 foi instituída a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, pela Lei nº 13.585, a ser realizada anualmente entre os dias 21 e 28 de agosto. Esta data tem como principal objetivo divulgar conhecimentos acerca das condições sociais destas pessoas. Através de diversas ações e campanhas, busca-se que esse conhecimento seja capaz de transformar as realidades, superando as barreiras que impedem que estas pessoas participem com liberdade e autonomia do âmbito social, de forma coletiva e em igualdade de condições com as demais pessoas. A cada ano, a Semana Nacional possui um tema norteador, buscando conscientizar a sociedade acerca de determinadas e necessidades para a inclusão plena. Esta campanha, a nível nacional, tem sido uma ferramenta para a promoção de atitudes em relação à promoção e valorização da participação da pessoa com deficiência intelectual e múltipla em diversos campos da vida. Em 2021, o tema das ações gira em torno da frase “É tempo de transformar conhecimento em ação”. Esta temática foi definida tendo em vista que o país possui hoje uma das legislações mais avançadas do mudo no que se refere à garantia de direitos de pessoas com deficiência. No entanto, na prática, a maior parte destas ações, asseguradas por lei, não são realizadas de maneira efetiva para todos. O Studio Universalis tem como meta a concretização destas ações e, para nós, um mundo mais justo começa por espaços inclusivos. Assim, dedicaremos o mês de Agosto a promover conversas relacionadas à acessibilidade e como ela impacta positivamente na qualidade de vida de todos, individualmente e como sociedade. As lives irão ocorrer nas quartas-feiras do mês de Agosto, dias 04/08, 11/08, 18/08 e 25/08, às 19h, em nosso perfil do Instagram (@studiouniversalis). Alinhados à proposta nacional da Semana, transformar conhecimento em ação, os bate-papos serão mediados pela arquiteta Angélica Picceli, nossa especialista em Arquitetura Inclusiva, que atua há mais de 10 anos na construção de uma arquitetura mais humana e orientada para as pessoas. Ao promover o debate levando em consideração as vivências de pessoas com deficiência, suas dificuldades e a importância de ações para sua inclusão do meio social, contribuímos ainda mais para sua valorização e, também, para que seus direitos, garantidos por lei, se efetivem na vida diária. Ao abordar estes assuntos e trazer à tona temas relacionados à pessoa com deficiência, ampliamos os caminhos para transformar conhecimento em ação e participar da construção de uma sociedade mais igualitária. Acompanhe nossa programação especial nas redes sociais do Studio Universalis, seguindo o @studiouniversalis no Instagram ou diretamente pelo link https://www.instagram.com/studiouniversalis/. Caso queira saber mais sobre como criar ou tornar espaços mais acessíveis, agende um horário com Angélica Picceli, nossa especialista, através do e-mail contato@studiouniversalis.com.br ou pelo WhatsApp (31) 98797-2392.

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Arquitetura Residencial

Como tornar ambientes residenciais mais acessíveis sem grandes transformações estruturais no imóvel

Na arquitetura e no urbanismo, a acessibilidade tem sido uma preocupação constante nas últimas décadas. O termo representa a possibilidade de que qualquer pessoa, possuindo ou não algum tipo de deficiência ou capacidade de locomoção reduzida, consiga alcançar e utilizar espaços, mobiliários, equipamentos e que tenha garantido seu direito de ir e vir com autonomia e independência. A acessibilidade também garante a segurança e integridade física de todas as pessoas, em especial daquelas com deficiência ou mobilidade reduzida, assegurando a todos o direito de usufruir dos ambientes, convivendo em sociedade em um clima de normalidade, sem que haja necessidade de adaptações ou soluções de design específicas para esta ou aquela pessoa. Não é possível prever o futuro, mas pensar a longo prazo é uma forma de encontrarmos novas oportunidades de diferenciação no mercado, já que nos  tornamos capazes de antecipar os problemas dos  consumidores e, assim, fornecer uma solução inovadora para suas necessidades. Ao planejar a infraestrutura que um edifício residencial oferece, pensar na experiência que o consumidor terá ao longo da vida é indispensável para qualquer empreendimento que esteja empenhado em garantir autonomia e independência aos seus moradores e visitantes.  No entanto, em edifícios mais antigos é mais comum encontrarmos estruturas que não foram pensadas levando a acessibilidade em consideração, incluindo desde as áreas comuns até as privativas. Tornar um apartamento ou residência mais acessível é algo que pode ser possível mesmo em locais que não foram pensados para tal; obviamente, pode ser que não seja  total, mas alguma acessibilidade já é melhor do que nenhuma. Quando falamos em acessibilidade é importante diferenciarmos o que é acessível do que é visitável. No primeiro caso, falamos de ambientes que podem ser utilizados em sua totalidade por pessoas com as mais variadas características físicas, habilidades motoras ou sensoriais. Já no segundo caso, nos referimos a espaços que permitem a visitação, mas que não oferecem a possibilidade de utilização plena com autonomia. Contemplar a acessibilidade de forma parcial pode ser melhor do que nenhuma acessibilidade, desde que o maior número de necessidades das pessoas que vão morar naquele local possa ser atendido da melhor maneira possível. Para exemplificar este aspecto, apresentamos abaixo um projeto que nossa arquiteta, Angélica Picceli, desenvolveu em 2010 no Laboratório Adaptse da Escola de Arquitetura da UFMG, sob coordenação do Prof. Dr. Marcelo Pinto Guimarães.  A proposta era desenvolver um projeto para adaptação do apartamento onde um senhor e seus filhos moravam, sendo que um dos rapazes utilizava uma cadeira de rodas para se locomover pela casa.  A análise da planta original do apartamento mostrou que os espaços eram inacessíveis para uma pessoa em cadeira de rodas e que a relação deste morador com o espaço era difícil e estressante. A residência não possuía, também, o suporte necessário para a realização das atividades cotidianas com autonomia por todas as pessoas. Para melhorar a  autonomia e bem-estar do rapaz, algumas intervenções foram propostas. De forma geral, foi sugerido o aumento da largura dos corredores em toda a residência, para propiciar a manobra da cadeira de rodas. Nos dormitórios, os armários embutidos foram retirados para permitir a colocação de portas mais largas (as passagens antigas tinham apenas 72 centímetros de largura). Todo o mobiliário e o leiaute dos dormitórios foi redesenhado para permitir espaço suficiente para a manobra da cadeira de rodas. Nas salas de estar e jantar, foi proposta a substituição do mobiliário existente por outro com dimensões e design mais adequados, que permitissem a livre e segura circulação de todas as pessoas no ambiente, bem como espaço para a aproximação e uso dos móveis, equipamentos e outras facilidades. A sala de estar recebeu a TV e passou a ser um espaço de convívio para a família. No dormitório suíte, a porta foi substituída por outra com maior largura e respeitando o espaço de 30 cm próximo à maçaneta – necessário para a aproximação em cadeira de rodas. Desta forma, o acesso a este ambiente ficou garantido.  O banheiro social foi ampliado e recebeu todos os equipamentos necessários para garantir sua utilização por todos os moradores da casa. Barras de apoio foram instaladas, além de bacia sanitária com altura adequada e dispositivo de acionamento da descarga acessíveis, chuveiro com desviador e a instalação de acessórios em altura adequada para o alcance manual de todos os usuários. Os revestimentos também foram trocados para proporcionar melhor contraste de cores entre piso e parede, proporcionando uma sensação de tridimensionalidade do ambiente mais equilibrada. Este detalhe, que muitas vezes é ignorado, é capaz de  tornar o espaço mais confortável para todas as pessoas. Prédios antigos podem não possuir acessibilidade, mas com projetos de reformas há a possibilidade de incluí-la, ainda que parcialmente. Às empresas do ramo da construção civil, pensar nestas possibilidades e oferecer projetos residenciais mais acessíveis é uma ótima estratégia de negócios, pois possibilita atender a um número ainda maior de consumidores e construir uma base de clientes fidelizada, que terá suas expectativas atendidas – ou, até mesmo, superadas – por muito tempo.  Indo além, pensar em arquitetura inclusiva dentro de casa significa falar de espaços que foram pensados para todos os moradores daquele lugar, em todos os períodos da vida, ou seja: jovens, crianças, idosos, gestantes, pessoas com ou sem deficiência, entre outros. Assim, a estrutura arquitetônica da casa precisa oferecer condições para que todas estas pessoas, com suas características e habilidades físicas possam habitá-la. Entretanto, não há uma receita para a adaptação de espaços existentes. Cada caso precisa ser avaliado de maneira individual, para que as soluções sejam projetadas levando em consideração suas particularidades.  Se você quer saber mais a respeito deste assunto ou, ainda, como adaptar seu espaço residencial e torná-lo mais acessível, agende um horário com Angélica Picceli, nossa especialista, através do e-mail contato@studiouniversalis.com.br ou pelo WhatsApp (31) 98797-2392.

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Acessibilidade

Inclusão estratégica: Como trazer acessibilidade para espaços comerciais sem precisar fazer reformas estruturais

Vivemos no sexto país mais populoso do mundo e, de acordo com o Censo 2010, quase 46 milhões de brasileiros, ou seja, cerca de 24% da população, declarou ter algum grau de dificuldade em pelo menos uma das habilidades investigadas (enxergar, ouvir, caminhar ou subir degraus), ou possuir deficiência mental ou intelectual. Além disso, a expectativa de vida da população brasileira aumentou devido a melhoria nas condições de saúde, saneamento e educação, que foram impulsionadas pela urbanização. De acordo com relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde, até 2050, o número de pessoas com mais de 60 anos no mundo vai duplicar. E, no Brasil, este número será ainda mais expressivo, sendo triplicado. Estaremos entre as maiores taxas de população idosa do planeta. Portanto, com números tão expressivos de brasileiros e brasileiras com algum tipo de deficiência ou em condição de mobilidade reduzida, há a necessidade de se planejar espaços acessíveis e inclusivos para todos os cidadãos. Pensar em ambientes comerciais acessíveis é levar em consideração a experiência do consumidor, uma ótima estratégia de diferenciação no mercado e também uma forma de atender a um público ainda mais amplo, que muitas vezes não encontra soluções adequadas para uma experiência de consumo minimamente satisfatória. Ao falar de arquitetura acessível, muitas pessoas pensam se tratar de grandes transformações e projetos altamente dispendiosos. No entanto, há diversas medidas simples que podem auxiliar na autonomia e independência pessoal, facilitando o acesso aos lugares sem que sejam necessárias grandes reformas. Há também lugares onde a aplicação de soluções de acessibilidade é dificultada ou impedida por causa das características estruturais dos edifícios existentes, indisponibilidade de espaço suficiente, ou ainda questões relacionadas à topografia ou condições de acesso. Nestes casos, deve-se implantar as soluções de acessibilidade no grau máximo possível, com o objetivo de dar condições de acesso e atendimento para o maior público possível, afinal, ter acessibilidade mesmo que parcial é melhor do que não ter nenhuma acessibilidade. Qualquer estabelecimento pode e deve utilizar estratégias que tornem seus espaços mais acessíveis, permitindo que fiquem disponíveis e funcionais para todas as pessoas, independentemente de suas características físicas, motoras ou sensoriais. A seguir, apresentamos várias sugestões de pequenas modificações que podem fazer grande diferença no acesso e utilização dos ambientes.  Pisos antiderrapantes para minimizar riscos de acidentes O uso de pisos antiderrapantes é recomendado para a prevenção de acidentes. Em ambientes de alto tráfego, como comércios, por exemplo, este tipo de piso auxilia no caminhar de idosos e pessoas com mobilidade reduzida, pois é feito de materiais com maior aderência ao solado dos sapatos e fornecem mais segurança. Existem diversos tipos de pisos e materiais que podem ser utilizados e esta escolha deve ser feita de acordo com o ambiente a que se destinam, seja ele interno ou externo. Deve-se atentar, também, para a forma com que os acabamentos são aplicados: os pisos devem ser sempre contínuos, firmes e regulares. Evite acabamentos que produzam superfícies irregulares, tapetes e capachos que não estejam aderidos ou embutidos ao chão, pois dificultam o deslocamento das pessoas. Sinalização dos espaços A sinalização dos espaços é outro elemento muito importante para torná-los mais acessíveis sem a necessidade de grandes reformas. Como meio de comunicação, a sinalização deve ser pensada de forma que a mensagem seja apreendida pelo maior número possível de pessoas, levando-se em conta que cada um se comunica e compreende as informações de forma diferente. Para isto, é preciso que seja percebida por pelo menos dois sentidos humanos diferentes: visual e sonora ou visual e tátil.  Como exemplo, citamos as placas de sinalização com textos em alto relevo e braile, abarcando os sentidos visual e tátil. Placas de sinalização com textos em alto relevo e áudio também são um exemplo, que engloba os aspectos visuais, táteis e sonoros.  O piso tátil também é um tipo de sinalização e deve ser aplicado nos pisos em áreas externas, onde não há paredes que auxiliem na orientação espacial de pessoas com deficiência visual. Devem ser sempre em cor forte e contrastante com a cor do piso adjacente. Quanto às especificidades da comunicação visual, é importante utilizar sempre letras em tamanhos maiores e um contraste adequado entre as cores do fundo e da letra. Mobiliário adequado e amplo espaço de circulação Inúmeras são as possibilidades para pensar o mobiliário de estabelecimentos mais inclusivos. Uma dica é pensar os balcões de atendimento com altura adequada para atendimento de pessoas sentadas ou em pé.   Outra ótima dica é disponibilizar bancos ou áreas para descanso de pessoas com mobilidade reduzida, pois, além de demonstrar carinho e consideração com o cliente, pode ser uma estratégia inteligente para mantê-lo em seu estabelecimento e, consequentemente, consumindo por mais tempo. Também é importante pensar em espaços amplos e que possibilitem às pessoas circularem com segurança entre gôndolas e expositores, pois, além de aprimorar a experiência do cliente, ele sente-se muito mais confortável ao fazer suas compras. Além disso, pessoas em cadeiras de rodas, com carrinhos de bebê ou andadores necessitam de espaços maiores para circular. Pensar nos detalhes Pequenos detalhes têm grandes impactos para tornar o acesso aos espaços mais facilitado. Mesmo que o banheiro do estabelecimento não tenha espaço suficiente para ser totalmente acessível, você pode instalar barras de apoio para auxiliar às pessoas com mobilidade reduzida, como os idosos, por exemplo. Outra recomendação é utilizar maçanetas das portas, pias e lavatórios no formato de alavanca, para facilitar seu acionamento. Você pode, também, instalar corrimãos em corredores para que os sêniores, ou pessoas com pouco equilíbrio possam se apoiar e circular de forma mais confortável. Estas sugestões mostram que é possível tornar os ambientes comerciais mais acessíveis sem realizar grandes reformas estruturais e, dessa forma, garantir uma experiência ainda mais agradável para um maior número de consumidores. Cada vez mais as empresas buscam soluções inovadoras, e investir em acessibilidade é uma ótima maneira de atingir o sucesso e ser lembrado como uma referência na sua área de atuação. Nós, do Studio Universalis, acreditamos que, além de uma estratégia de

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Arquitetura comercial

Arquitetura e Varejo: Como a rede C&A utiliza a acessibilidade em suas lojas para promover experiências imersivas e envolventes

O avanço tecnológico vem causando uma profunda transformação nas relações entre pessoas e empresas, sendo o varejo um dos maiores afetados por essa revolução nos comportamentos de consumo. Ao pensarmos nos ambientes físicos, a Arquitetura desempenha um papel fundamental na experiência do cliente porque ela é uma peça-chave na construção das histórias que acontecem a partir da interação com produtos e/ou serviços, por isso deve ser concebida como parte da estratégia comercial de qualquer negócio que dependa da presença física do consumidor em suas instalações. Grandes varejistas como a rede C&A vem transformando seus espaços físicos para tornar a experiência dos clientes ainda mais imersiva e intuitiva através de um novo conceito de loja. Pautada na máxima de que “menos é mais”, este novo conceito passou a oferecer uma menor variedade de produtos, porém, com maior qualidade e assertividade em relação às expectativas do consumidor, além de mais espaço de circulação e interação, transformando gôndolas e prateleiras abarrotadas de peças em espaços temáticos e imersivos para o cliente. Além disto, a empresa tem investido em diversas inovações tecnológicas para atender a demanda de um consumidor cada vez mais conectado, que espera ser surpreendido e não tem tempo a perder, por isso nestas lojas já oferece integração com o próprio e-commerce, para que o cliente “saia da loja” com o produto, mesmo que ele não esteja disponível naquele momento, e que será entregue posteriormente onde for melhor para ele. Outro aspecto extremamente relevante ao se pensar em experiência no ponto de venda é a forma com que o consumidor se localiza dentro dos ambientes. Além do espaço mais amplo e imersivo, a setorização clara dentro das lojas, onde os produtos ficam separados por categorias e subcategorias, e o espaço todo bem-sinalizado, com indicações clara dos setores e facilidades da loja, tornam fácil e rápida a localização daquilo que o consumidor deseja, complementando a boa experiência no ponto de venda, principalmente para aqueles clientes que tem pouco tempo para fazer suas compras. Para atingir o sucesso e manter-se no mercado é preciso mais do que apenas ter um ambiente visualmente atrativo, é essencial considerar todos estes aspectos porque são eles que tornam a experiência do consumidor muito mais enriquecedora do que a que ele teria no ambiente online. Para saber mais a respeito deste assunto, acesse os outros conteúdos presentes em nosso blog ou agende um horário com nossa especialista através do e-mail contato@studiouniversalis.com.br ou pelo WhatsApp (31) 98797-2392.

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Acessibilidade

Acessibilidade nas escolas: o que fazer para não deixar nenhum aluno de fora

Uma verdade que todos concordam: o futuro do nosso país depende da educação. Apostar em uma educação de qualidade, voltada para o desenvolvimento cultural, técnico, social e humano das pessoas é a chave para um futuro melhor e para um país promissor, que cuida dos seus cidadãos. E nosso país está precisando desesperadamente e urgentemente dessa educação. Uma educação que nos alimente com senso crítico, senso de coletividade, senso de pertencimento e que nos possibilite crescimento pessoal, que ofereça a nossas crianças, jovens e adultos a oportunidade de um presente e um futuro brilhante e feliz. Mas para que esta tão sonhada educação seja possível, a escola precisa ser capaz de receber a todas as pessoas. Ninguém pode ficar de fora. Afinal, antes mesmo de se constituir em uma grande esperança para o nosso país, a educação é um direito fundamental de todos nós. O direito à educação para todas as pessoas vai muito além de professores capacitados, métodos e materiais didáticos adequados e eficientes. É necessário, antes de qualquer coisa, que as pessoas (estudantes e profissionais da educação) possam chegar e permanecer nas escolas – acessibilidade ambiental é fundamental. A acessibilidade dos espaços promove a convivência social, o aprendizado e o desenvolvimento de pessoas com diferentes características físicas, motoras, sensoriais e intelectuais de forma harmoniosa e equiparada em um mesmo ambiente, contribuindo para a derrubada de preconceitos e a percepção de que as nossas diferenças são o nosso maior tesouro. São as nossas diferenças que nos fazem tão especiais enquanto indivíduos e enquanto sociedade. Já está comprovado que grupos com grande diversidade tem maior capacidade para encontrar soluções para seus problemas, inovar e empreender. Por isso é tão importante que as escolas sejam acessíveis e estejam preparadas para a inclusão de todas as pessoas. E para ajudar aos gestores das escolas a compreenderem o que é necessário para se ter ambientes escolares acessíveis, descrevo abaixo sete pontos que devem ser observados: 1 – Entradas e acessos: Para a chegada e entrada dos professores, estudantes e funcionários é preciso que o percurso entre a calçada e áreas de embarque e desembarque estejam livres de quaisquer tipos de barreiras (tais como degraus, por exemplo), que impeçam o deslocamento fácil e seguro de todas as pessoas. As áreas de embarque e desembarque devem possuir vagas de estacionamento acessíveis reservadas para pessoas com deficiência, para facilitar a chegada e a entrada das pessoas com maior dificuldade de mobilidade. É importante que este percurso livre de barreiras que parte da calçada leve as pessoas por todas as áreas da escola: salas de aula, áreas de prática esportiva, bibliotecas, laboratórios, áreas administrativas, auditórios, cantinas, refeitórios, entre outras. Este percurso se chama rota acessível. 2 – Salas de aula e laboratórios As salas de aula e laboratórios devem ter portas com vão de passagem mínimo de 80 cm e é importante que os corredores entre as mesas e carteiras tenham espaço suficiente para que estudantes em cadeiras de rodas possam se aproximar, se movimentar e utilizar o mobiliário (Figura 1). Aliás, este também é um ponto muito importante: as carteiras universitárias, muito utilizadas em várias escolas, não são acessíveis para todas as pessoas. É necessário que as escolas tenham mesas reguláveis, que se adaptem facilmente à vários tipos de necessidades. Bancadas fixas em laboratórios precisam ter espaço inferior livre para que as pessoas em cadeiras de rodas possam acomodar suas pernas sob elas e altura adequada para trabalho sentado. As lousas ou quadros brancos devem estar fixadas nas paredes em uma altura que seja boa para as crianças e para adultos com baixa estatura, sendo a altura máxima de 90 cm do piso (Figura 2). 3 – Quadras, piscinas e equipamentos esportivos O percurso até as áreas de prática esportiva deve ser livre de barreiras arquitetônicas, permitindo que todos os estudantes cheguem a até lá para a prática de esportes. Caso a escola possua modalidade esportiva que utilize cadeiras do tipo cambada (Figura 3), as portas existentes na rota acessível devem ter medida mínima de 1,00 metro de largura, incluso as portas dos vestiários e instalações sanitárias. As arquibancadas e áreas de plateia, além de estarem na rota acessível, devem possuir espaço reservado para pessoa em cadeira de rodas. 4 – Instalações sanitárias e vestiários Deve haver vestiários e sanitários acessíveis em todos os pavimentos das escolas, sendo que 5% do número total de peças sanitárias devem atender à norma de acessibilidade. É recomendável que haja instalações sanitárias e vestiários acessíveis masculinas e femininas nas escolas com entrada independente, do tipo família, possibilitando a assistência de terceiros, caso necessário. 5 – Bibliotecas Nas bibliotecas, além dos corredores amplos, é interessante que se utilize estantes baixas para que os livros fiquem acessíveis a pessoas sentadas ou em pé, com as mais variadas estaturas. Na impossibilidade de se utilizar estantes baixas, pode-se disponibilizar colaboradores para assistência aos usuários. 6 – Cantinas e refeitórios Para que os balcões de atendimento nas cantinas sejam acessíveis devem ter altura máxima de 85 cm do piso, possibilitando que pessoas em cadeira de rodas, pessoas de baixa estatura e crianças veja o atendente e também sejam vistos. As vitrines também devem estar em altura acessível aos olhos deste público (Figura 4). 7 – Comunicação e sinalização A sinalização dos espaços e comunicação dentro das escolas é outro ponto de suma importância. Ela deve estar presente obrigatoriamente na rota acessível e em toda a escola. Seu papel é auxiliar na orientação espacial e localização das pessoas. A sinalização para orientação e localização deve ser feita com piso tátil, placas de sinalização visual com textos e figuras em alto relevo e braile, e também sinalização sonora. Deve-se sempre combinar pelo menos dois tipos diferentes de sinalização de forma que a comunicação seja feita através de dois sentidos – visual e tátil ou visual e sonoro. A aplicação dos pisos táteis deve ser planejada com o auxílio de um arquiteto, pois não é recomendada para todos os ambientes internos nas edificações. Além disso, há uma

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Acessibilidade

Acessibilidade e Inclusão em condomínios residenciais: o que os síndicos precisam saber

Imagine que você sofra um acidente e passe a utilizar muletas ou cadeira de rodas temporária ou permanentemente, o prédio onde você mora está preparado para te receber?  E quando chegarmos à velhice e a perda dos movimentos for uma realidade (algo natural, que acontece com todo mundo), o condomínio onde moramos está pronto para nos oferecer a qualidade de vida e a segurança que os idosos precisam para continuar a viver com autonomia e aproveitar da melhor maneira a sua longevidade? Ao contrário do que muitos pensam, acessibilidade vai muito além de uma obrigação legal. É uma questão prática e serve para todas as pessoas. Em algum momento da vida todos nós precisaremos dela. Nos condomínios residenciais esta questão tem sido cada vez mais abordada, seja por exigência da lei, ou porque as pessoas passaram a ter consciência dos seus direitos e dos benefícios que os espaços acessíveis trazem. E para ajudar a compreender o assunto, separei algumas informações importantes para serem usadas nas assembleias de moradores e discutir o assunto com tranquilidade. Por que o lugar onde moro precisa ser acessível? A principal resposta para esta pergunta é: a acessibilidade, além de garantir o direito de todas as pessoas de ir e vir livremente (direito este garantido pela Constituição Federal), proporciona maior autonomia e inclusão para as pessoas no uso dos espaços durante as atividades do dia a dia e melhor qualidade de vida para todos. Temos de lembrar que além dos moradores, a acessibilidade também beneficia os visitantes do condomínio, afinal, inúmeras famílias possuem os pais, tios e amigos idosos e é muito bom ter a presença dessas pessoas em nossas casas, não é mesmo? Outro motivo importante é porque a acessibilidade é lei em nosso país, desde 2004 quando foi promulgado o Decreto Federal 5296/2004. O que diz a lei? O Decreto Federal 5296/2004 instituiu a obrigatoriedade de acessibilidade nas edificações e nos espaços urbanos. Depois deste decreto, outras leis vieram complementar e reforçar a obrigatoriedade da existência de acessibilidade, como a Lei Federal 13.146/2015, que instituiu a Lei Brasileira de Inclusão das Pessoas com Deficiência. De maneira geral, os condomínios devem possuir acesso livre de barreiras para todas as pessoas, a partir da rua e em todas as áreas de uso comum. A ausência de acessibilidade pode levar a processos judiciais e multas. Mais recentemente a acessibilidade também passou a ser obrigatória nas unidades residenciais: com o Decreto 9451/2018, que regulamentou o Artigo 58º da Lei Brasileira de Inclusão, os edifícios residenciais construídos a partir da data de promulgação da lei devem ter, além da acessibilidade nas áreas de uso comuns, apartamentos acessíveis ou adaptáveis para que sejam futuramente acessíveis. Além das leis federais, muitos municípios possuem legislação específica sobre o tema, reforçando a importância e a necessidade de ações para a implantação da acessibilidade, tais como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte. O que deve ser observado para ter acessibilidade nos condomínios? O objetivo geral é que as pessoas possam chegar aos lugares, entrar, circular e utilizar todos os ambientes com segurança e autonomia. Então, essa jornada começa na calçada. A rota que as pessoas fazem a partir da calçada até as áreas internas do condomínio precisa ser livre de degraus ou outros tipos de obstáculos. Os corredores e portas precisam ter largura adequada. É preciso também garantir espaço suficiente para que as pessoas se aproximem e utilizem os ambientes, todas as facilidades existentes, incluindo o mobiliário do local. Banheiros, cozinhas, salões de festa e equipamentos de lazer tais como saunas, piscinas, quadras e playgrounds também devem ter acessibilidade. Os corredores que levam até os apartamentos também devem ter largura adequada, bem como a área de aproximação necessária junto às portas. Também é importante sinalizarmos os espaços e utilizar comunicação tátil de piso, placas de identificação e localização dos espaços com texto e figuras em alto relevo e em braile. Afinal, a acessibilidade também precisa ser pensada para as pessoas com deficiência visual. Não se esqueçam das garagens e áreas de embarque e desembarque. É muito importante ter vagas reservadas para a acessibilidade de pessoas com deficiência e idosos, demarcadas e sinalizadas, lembrando que no caso da vaga reservada para pessoa com deficiência é necessário que haja uma faixa lateral livre para acesso ao veículo estacionado.  Como referência para as ações de acessibilidade, a legislação estabeleceu a Norma Técnica Brasileira NBR-9050/2020. Nela encontramos os parâmetros mínimos para ter acessos e ambientes acessíveis e adequados para todas as pessoas. Meu condomínio é antigo. O que fazer? Prédios antigos não estão livres de implantar acessibilidade no grau máximo possível.  Obviamente que neste caso pode haver limites para a reforma em função da estrutura já existente, de forma que tecnicamente não se consiga ter ambientes plenamente acessíveis, mas isso não é desculpa para não adequar tudo o que for possível. Nestes casos é importante consultar um arquiteto ou engenheiro para entender o que pode ser feito. E os condomínios novos, como são? Os condomínios mais novos já devem ter a acessibilidade prevista na infraestrutura das áreas de uso comum. Assim, deve-se cuidar para que a acessibilidade seja mantida nestes espaços, evitando-se que estas áreas sejam ocupadas com obstáculos diversos, que possam prejudicar a livre circulação das pessoas. Acessibilidade atitudinal: estimular boas práticas de inclusão pode ajudar na conscientização de todos Uma boa estratégia para a implantação da acessibilidade nos condomínios é começar pelo estímulo a práticas de inclusão. Estas práticas envolvem a conscientização sobre o que é acessibilidade, para que serve e um profundo exercício de empatia, onde as pessoas são convidadas e estimuladas a olhar para seus vizinhos, amigos e familiares e, a partir do conhecimento mútuo, estabelecer atitudes e procedimentos que melhorem a acessibilidade, a autonomia e a qualidade de vida dos moradores, enquanto a acessibilidade física dos ambientes não está implantada. A partir desta estratégia os síndicos certamente terão mais facilidade em conduzir a implantação da acessibilidade em seus condomínios, pois todos passarão a entender o valor e os

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