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Durante muito tempo, acreditou-se que projetos acessíveis seguiam uma estética única, marcada pela padronização de soluções técnicas, cores neutras e um suposto “sacrifício” do belo em prol da funcionalidade. Esse mito, no entanto, está sendo desconstruído e cada vez mais temos visto tendências que conversam com as demandas das pessoas para espaços bonitos e funcionais. 

No mês passado estivemos na CASACOR Minas Gerais 2025, cujo tema foi Semear Sonhos. A proposta da mostra é inspiradora: conectar arquitetura, paisagismo, design e arte na promoção da inclusão e da acessibilidade universal. O que vimos nos ambientes foi, sem dúvida, um espetáculo de estética, sensorialidade e inovação, com espaços que transmitiam aconchego, criatividade e uma visão plural do morar contemporâneo.

Ainda assim, sentimos que a acessibilidade, no sentido pleno do desenho universal,  apareceu de forma mais tímida. Alguns ambientes traziam soluções interessantes, mas, no geral, prevaleceu o olhar estético, enquanto o pertencimento de todas as pessoas aos espaços poderia ter sido mais explorado. Essa percepção não diminui o talento dos profissionais, que entregaram projetos belíssimos e inspiradores, mas nos lembra que a acessibilidade precisa estar presente não apenas como complemento, e sim como parte essencial da linguagem projetual.

E é justamente por reconhecermos a potência das tendências apresentadas que vemos uma oportunidade: integrar, de fato, acessibilidade e estética desde o princípio.

Claro que as normas seguem igualmente importantes, pois são os direcionamentos que nos permitem garantir espaços que recebam a diversidade de perfis de pessoas, mas, para além disso, a acessibilidade pode também ser uma potência estética. Ela dialoga com as tendências atuais, integrando cores, texturas, luzes, espaços de circulação e qualidade ambiental, de modo que beleza e funcionalidade caminhem juntas.

Veja os principais insights que tivemos ao visitar a Mostra.

Tendências que inspiram a relação entre acessibilidade e estética

1. Cores que acolhem
Em 2025, as paletas mais profundas e intensas foram protagonistas nos 49 ambientes da mostra. Elas transmitem calor, aconchego e ajudam a criar espaços onde o olhar é estimulado sem cansar. Em projetos inclusivos, cores bem escolhidas também funcionam como recurso de orientação espacial e no contraste, ampliando a autonomia sem abrir mão da emoção estética.

2. Foco nas memórias que conectam
O uso de peças vintage e retrô foi outro aspecto bem marcante e que reforçou o papel das memórias afetivas no design. Móveis e objetos com história trazem familiaridade e pertencimento, um aspecto essencial quando pensamos em ambientes que devem acolher diferentes gerações e sensibilidades.

3. Iluminação para o bem-estar
As luzes mornas e intimistas estiveram bastante presentes e revelaram um caráter acolhedor aos espaços, convidando à permanência e ao relaxamento. Em termos de acessibilidade, a iluminação bem projetada garante conforto visual e segurança, reduz barreiras para pessoas com baixa visão e valoriza a atmosfera do espaço.

4. Espaços de convivência
Outro ponto marcante da CASACOR 2025 foi a valorização dos encontros. Poucas televisões apareceram nos ambientes, enquanto sofás e poltronas foram pensados para incentivar a conversa. Com espaços que estimulam a interação e fortalecem vínculos, precisamos pensar sobre ambientes confortáveis para acolher a diversidade de pessoas e que todos possam participar ativamente na socialização.

5. Materiais e sensorialidade
Pedras naturais, madeiras em tons mais escuros, vidros fantasia e metais… a diversidade de materiais era imensa! A tendência do “design que se sente”, com texturas e contrastes táteis, tornam os espaços mais ricos, e quando pensados sob o viés da inclusão, também ampliam a percepção sensorial de quem explora o ambiente.

Quando a acessibilidade é também linguagem estética

As falas do talk promovido pela Arauco na CASACOR reforçaram o que vimos nos ambientes: o design contemporâneo não precisa gritar por fora, ele pulsa por dentro. Curvas, cores densas, imperfeições assumidas e um certo “futurismo vintage” trazem frescor e, ao mesmo tempo, acolhimento.

São tendências internacionais que nos mostram que a acessibilidade não deve ser vista como um adendo técnico, mas como parte da identidade do espaço. Rampas, sinalizações e circulações amplas são fundamentais, mas elas podem dialogar com o projeto como um todo, compondo a beleza, a atmosfera e a experiência sensorial que os ambientes oferecem.

A CASACOR Minas 2025 nos lembrou que a arquitetura inclusiva não é uma estética única, mas uma pluralidade de caminhos. É possível, sim, criar espaços acessíveis que sejam bonitos, emocionantes e memoráveis.

Acessibilidade é, no fundo, sobre pertencimento, e quando ela se integra às tendências contemporâneas, a beleza ganha novas camadas de sentido. Afinal, um espaço verdadeiramente belo é aquele que pode ser vivido por todos.

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